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Chevron produzia gás venenoso clandestinamente e será multada

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) flagrou a petroleira americana Chevron produzindo clandestinamente gás sulfídrico (H2S) em um dos 11 poços que explora no Campo de Frade, na Bacia de Campos, no litoral norte do Rio.
A revelação foi feita ontem por Magda Chambriard, diretora da agência. Ela anunciou que a companhia deverá ser multada. A substância, acrescentou, 'é veneno para o trabalhador' - ela mata se for inalada em alta concentração (mais informações nesta página).
Segundo Magda, foi aberto processo administrativo contra a Chevron, que está em fase de apresentação de defesa. Ela reclamou do comportamento da empresa, que deveria ter informado a ANP a respeito da produção, que exige avaliações de risco que não foram feitas.
'Havia um poço produzindo H2S que não estava na análise de risco. O procedimento normal é não ter o H2S escondido da ANP', disse ela, após a cerimônia de despedida do ex-deputado Haroldo Lima da direção-geral da agência.
A Chevron não refutou o fato de não ter informado a ANP da presença do H2S. Em nota, a empresa esclarece que faz 'monitoria regular da substância, um subproduto natural do processo de produção de petróleo e gás'. 'A empresa também informa que tem implantado permanentemente sistemas e processos de segurança para garantir a segurança dos empregados, dos contratados e das operações'.
A descoberta da produção do H2S pela ANP ocorreu durante vistoria do poço no dia 22. O poço foi interditado. Nos outros dez poços não foram encontrados vestígios do gás. O poço não é o mesmo de onde está vazando petróleo. A agência comunicou a produção clandestina ao Ministério do Trabalho e ao Ministério Público do Trabalho.
'O contrato de concessão diz que o concessionário tem de comunicar ao órgão regulador todas as ocorrências e ter análises de risco. Não existia, então (a Chevron) vai ser autuada', disse ela. A agência já abriu dois processos contra a empresa; com o terceiro, as multas podem chegar a R$ 150 milhões.
Segundo Magda, a companhia está sendo investigada sobre o que fez com o gás sulfídrico. 'Estamos vendo a extensão disso. Mas certamente não vazou, porque, se vazasse, matava. (...) Mas a empresa tem de mostrar que os riscos estão controlados', disse ela, que não revelou o volume da produção do H2S no poço interditado nem desde quando a Chevron o vinha produzindo.
Vazamento. Magda disse que a companhia não concluiu a primeira fase do planejamento de abandono do poço que vaza há quase um mês. A partir da contenção, ela estimou em no mínimo três meses o período necessário para a conclusão das investigações. A diretora disse que o óleo continua saindo do poço, embora em pequena quantidade. Ela também disse que não há previsão para contê-lo definitivamente.

* Publicada em: 06/12/2011

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